Escandalizo
Minha maneira é essa
Desde o meu nascimento
Quando tentei me conter
No ventre de minha progenitora
Mas ele não me suportava mais
Cuspiu-me
E gargalhei
Foi meu modo de chegar neste desmundo
Gargalho sobretudo por gosto
Pelo gosto do desgosto alheio
E não sei lidar com limites
Sou terceira margem
O segundo sol
Noite quando ainda é dia
Não sou sujeito
Certas vezes predicado
E quase sempre índice de indeterminação
Escandalizo sempre
Nas entradas
Saídas
Permaneço
Sei que permaneço
Não em mim
Mas neles
Nas retinas incontidas do outro
Escandalizo
Escandalizo não pelo que sou
Escandalizo
Mas pelo que o outro deixou de ser.
Entrada franca!
Entre...pode entrar!!!! Vasculhe tudo!!!!! Se pelo menos durante alguns segundos você parar em algum texto para tentar compreender algo, tentar desvendar o campo semântico de alguma palavra ou até mesmo se emocionar...terei cumprido o meu papel.
terça-feira, 6 de julho de 2010
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Sem culpa
Sou cretino
Minha cretinice é aguda
Encanta...
Mais do que meus olhos cor de mel
Mais que meu olhar anos 80.
Sou tão cretino...
Que respondo às perguntas não feitas.
E é através delas que alicerço meu discurso
Minha retórica.
Não disfarço
Maquiagem não é minha metáfora preferida.
Confesso que poucas vezes cara lavada
Apesar de gostar dela
Nem sempre a uso
Ocasionalmente, diante de mim mesmo.
Sorrio ou acendo um cigarro
Toda vez que sou cretino
Quando sorrio é um tipo de cretinice sarcástica
Quando cigarro é um tipo desejo.
Acabo fumando sempre pouco
Porque gosto mesmo é de interessar
E jogo com isso
E tudo tão pouco me interessa
E tudo tão pouco me desconcerta
Que fumo pouco
Às vezes, um maço em uma hora
Sim...é pouco pra mim
É pouco para a intensidade de minha cretinice.
Mas não me culpo por isso
E quando sinto
É como carregar comigo
Um oceano dentro de uma peneira
Não...não sinto culpa
Até porque...
Se há culpa
Vem de você
Que se deixa devorar por ela - minha cretinice
Alimentando-a
Alimento líquido.
Se há culpa
Que seja apenas sua
Que esteja com você
Vem de você
Que me olha
Apenas me olha
Mas não me enxerga.
Minha cretinice é aguda
Encanta...
Mais do que meus olhos cor de mel
Mais que meu olhar anos 80.
Sou tão cretino...
Que respondo às perguntas não feitas.
E é através delas que alicerço meu discurso
Minha retórica.
Não disfarço
Maquiagem não é minha metáfora preferida.
Confesso que poucas vezes cara lavada
Apesar de gostar dela
Nem sempre a uso
Ocasionalmente, diante de mim mesmo.
Sorrio ou acendo um cigarro
Toda vez que sou cretino
Quando sorrio é um tipo de cretinice sarcástica
Quando cigarro é um tipo desejo.
Acabo fumando sempre pouco
Porque gosto mesmo é de interessar
E jogo com isso
E tudo tão pouco me interessa
E tudo tão pouco me desconcerta
Que fumo pouco
Às vezes, um maço em uma hora
Sim...é pouco pra mim
É pouco para a intensidade de minha cretinice.
Mas não me culpo por isso
E quando sinto
É como carregar comigo
Um oceano dentro de uma peneira
Não...não sinto culpa
Até porque...
Se há culpa
Vem de você
Que se deixa devorar por ela - minha cretinice
Alimentando-a
Alimento líquido.
Se há culpa
Que seja apenas sua
Que esteja com você
Vem de você
Que me olha
Apenas me olha
Mas não me enxerga.
Desafeto
Sou todo verdade
A materialização dela
Sua personificação
Sua concretude
Sua solidez
Seu corpo
Seu chão
Raiz.
Você é que me inventa!
A materialização dela
Sua personificação
Sua concretude
Sua solidez
Seu corpo
Seu chão
Raiz.
Você é que me inventa!
Eu
Eu não caibo nos espaços
Tudo é pouco pra mim
Tudo é pequeno
Estreito
Sufoca.
Vivo de urgências
Quero tudo
Ao mesmo tempo
Agora.
Gosto dos extremos
Urge o amanhã
Na intensidade do hoje.
Meu desejo é substancialmente...
...líquido.
Minha alegria me cansa
Minha tristeza é festa
Meu tempo é sem tempo.
Às vezes verbo de ligação
Tantas outras intransitivo.
Minha natureza é selvagem
Moram dentro de mim vários bichos
Não mostro todos.
Sobrevivo comigo.
Acordo todas as manhãs
E não meu dou bom dia
Aturo o espelho
Ele que invade o meu dia
O meu ser
E me desnuda sem ao menos permissão.
Não concedo
Nem dou permissões
Se quer entrar
Não bata à porta
Não procure fechadura
Nem me chame
Entre
Deixe uma fresta
E me ama.
Tudo é pouco pra mim
Tudo é pequeno
Estreito
Sufoca.
Vivo de urgências
Quero tudo
Ao mesmo tempo
Agora.
Gosto dos extremos
Urge o amanhã
Na intensidade do hoje.
Meu desejo é substancialmente...
...líquido.
Minha alegria me cansa
Minha tristeza é festa
Meu tempo é sem tempo.
Às vezes verbo de ligação
Tantas outras intransitivo.
Minha natureza é selvagem
Moram dentro de mim vários bichos
Não mostro todos.
Sobrevivo comigo.
Acordo todas as manhãs
E não meu dou bom dia
Aturo o espelho
Ele que invade o meu dia
O meu ser
E me desnuda sem ao menos permissão.
Não concedo
Nem dou permissões
Se quer entrar
Não bata à porta
Não procure fechadura
Nem me chame
Entre
Deixe uma fresta
E me ama.
domingo, 4 de julho de 2010
Saudade
Trago dentro de mim a saudade
Saudade de um tempo ainda vindouro
Saudade de gente desconhecida
Saudade de mim amanhã
Saudade do próximo século.
A saudade que trago dentro de mim não me pertence
Apenas mora comigo
Apenas habita minha alma
Apenas compartilha comigo as minhas aflições.
Tenho saudade daquilo que ainda será projetado
Das crianças que nascerão
Da vida que não é essa.
Tenho saudade do que ainda não vivi
E ao mesmo tempo é tão intenso e presente.
Não sou pretérito
Nem presente
Nem futuro
Sou o tempo de um tempo que ainda germinará de alguma alma
inumana
De alguma alma tão inquieta quanto a minha
que deseja aquilo que ainda não tem vida
que ainda não foi criado.
Minha alma deseja o tempo
assim como eu desejo tê-la em todo e qualquer tempo.
Desejo-a...
...com desejo saudoso do tempo que iremos nos encontrar.
Não importa, minha alma,
o corpo,
a cor dos olhos,
ser macho,
ser fêmea.
Olharei-a através do espelho e reconhecerei...
...reconhecerei tua inquietude...
tua luz
teu cheiro
tua alegria
e a saudade findará
pois reconhecerei em você a vida que eu esperava
que me faltava.
Reconhecerei o meu tempo.
Saudade de um tempo ainda vindouro
Saudade de gente desconhecida
Saudade de mim amanhã
Saudade do próximo século.
A saudade que trago dentro de mim não me pertence
Apenas mora comigo
Apenas habita minha alma
Apenas compartilha comigo as minhas aflições.
Tenho saudade daquilo que ainda será projetado
Das crianças que nascerão
Da vida que não é essa.
Tenho saudade do que ainda não vivi
E ao mesmo tempo é tão intenso e presente.
Não sou pretérito
Nem presente
Nem futuro
Sou o tempo de um tempo que ainda germinará de alguma alma
inumana
De alguma alma tão inquieta quanto a minha
que deseja aquilo que ainda não tem vida
que ainda não foi criado.
Minha alma deseja o tempo
assim como eu desejo tê-la em todo e qualquer tempo.
Desejo-a...
...com desejo saudoso do tempo que iremos nos encontrar.
Não importa, minha alma,
o corpo,
a cor dos olhos,
ser macho,
ser fêmea.
Olharei-a através do espelho e reconhecerei...
...reconhecerei tua inquietude...
tua luz
teu cheiro
tua alegria
e a saudade findará
pois reconhecerei em você a vida que eu esperava
que me faltava.
Reconhecerei o meu tempo.
Espelho
Gosto de ti
Gosto de ti assim
sempre parecendo aquilo que não é,
escondendo-se através de seu olhar mármore,
mostrando-se entre gestos largos e obscenos.
És obsceno...
Tua natureza é obscena.
Admiro tua presença ausência,
tua alegria triste
tua arrogância quando chegas a todos os lugares,
teu incômodo perante a vida, ou do que se faz dela,
tua beleza escancarada,
teus colares egocêntricos,
teu sorriso escandaloso.
Escadalizas, sabia?
Amo tua vida morte,
teus jogos semânticos.
És...
hipérbole,
hipérbato,
sinestesia,
paradoxo,
barroco.
Desejo-te...
...e o meu desejo é ora árcade...
...ora clariciano.
Espero-te todas as noites...
Regressas sempre...
...a noite.
Deitas em tua cama,
Descansas teu corpo fatigado
E libertas tua alma.
Gosto de ti assim
sempre parecendo aquilo que não é,
escondendo-se através de seu olhar mármore,
mostrando-se entre gestos largos e obscenos.
És obsceno...
Tua natureza é obscena.
Admiro tua presença ausência,
tua alegria triste
tua arrogância quando chegas a todos os lugares,
teu incômodo perante a vida, ou do que se faz dela,
tua beleza escancarada,
teus colares egocêntricos,
teu sorriso escandaloso.
Escadalizas, sabia?
Amo tua vida morte,
teus jogos semânticos.
És...
hipérbole,
hipérbato,
sinestesia,
paradoxo,
barroco.
Desejo-te...
...e o meu desejo é ora árcade...
...ora clariciano.
Espero-te todas as noites...
Regressas sempre...
...a noite.
Deitas em tua cama,
Descansas teu corpo fatigado
E libertas tua alma.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Vida
Gosto das sensações
e por isso gosto da vida.
Às vezes, é puro enjoo...
vômito quente subindo pela garganta..
...golfo...
Gosto de senti-la assim...impetuosa
líquida.
Outras, é pura gravidez.
Sinto-me grávido da vida...
...de vida...
Quase sempre gravidez de estupro..
Gestação contemporânea...
Feto pré-maturo
Homem pré-histórico
Há momentos que a vida é soneto.
Confesso...
Gosto dela primeira fase modernista.
Há momentos que a vida é puro deboche.
E como debocha de mim...
...desde o meu nascimento no bairro Tijuca.
Sente prazer nisso.
Mas é esse deboche que me esvazia de mim mesmo
Que me faz rir de mim mesmo
Que me faz chorar de mim mesmo
Que me fazer querer mais...VIDA.
Sou demais vida para me importar com seu deboche
Mesmo quando seu deboche é mostrar a mim atráves do outro
Sei que o outro também sou eu
Já aprendi isso
Por isso tento não feri-lo.
Eu e a vida temos uma relação aberta
Monogâmica, mas aberta...
...aliás, escancarada...
Ela é demais eu
Sou demais ela
Gosto dos nossos momentos de libertinagem
Pois sabemos que iremos voltar um para o outro.
Ela...
Fez-me.
Eu...
Faço-a.
Ela...
Dá-me
Eu...
Tranformo
Ela...
Pátria
Eu...
Cidadão.
Ela...
Chuva
Eu...
Roupa estentida no varal.
Ela...
Corpo.
Eu...
Espírito.
Ela...
Ela.
EU...
Nós.
e por isso gosto da vida.
Às vezes, é puro enjoo...
vômito quente subindo pela garganta..
...golfo...
Gosto de senti-la assim...impetuosa
líquida.
Outras, é pura gravidez.
Sinto-me grávido da vida...
...de vida...
Quase sempre gravidez de estupro..
Gestação contemporânea...
Feto pré-maturo
Homem pré-histórico
Há momentos que a vida é soneto.
Confesso...
Gosto dela primeira fase modernista.
Há momentos que a vida é puro deboche.
E como debocha de mim...
...desde o meu nascimento no bairro Tijuca.
Sente prazer nisso.
Mas é esse deboche que me esvazia de mim mesmo
Que me faz rir de mim mesmo
Que me faz chorar de mim mesmo
Que me fazer querer mais...VIDA.
Sou demais vida para me importar com seu deboche
Mesmo quando seu deboche é mostrar a mim atráves do outro
Sei que o outro também sou eu
Já aprendi isso
Por isso tento não feri-lo.
Eu e a vida temos uma relação aberta
Monogâmica, mas aberta...
...aliás, escancarada...
Ela é demais eu
Sou demais ela
Gosto dos nossos momentos de libertinagem
Pois sabemos que iremos voltar um para o outro.
Ela...
Fez-me.
Eu...
Faço-a.
Ela...
Dá-me
Eu...
Tranformo
Ela...
Pátria
Eu...
Cidadão.
Ela...
Chuva
Eu...
Roupa estentida no varal.
Ela...
Corpo.
Eu...
Espírito.
Ela...
Ela.
EU...
Nós.
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