Entrada franca!

Entre...pode entrar!!!! Vasculhe tudo!!!!! Se pelo menos durante alguns segundos você parar em algum texto para tentar compreender algo, tentar desvendar o campo semântico de alguma palavra ou até mesmo se emocionar...terei cumprido o meu papel.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Compartilhar palavras

Escrevo não sei pra quê
...não sei o porquê...
Mas escrevo.

As palavras vêm à minha cabeça
São lançadas como telhados...
...como telhados em meio ao furacão.
Vêm...
...como um pote de vidro que acerta o chão
...estilhaços.
Tudo isso sem meu consentimento
Nunca fui de consentir nada...
E elas têm essa necessidade estranha..
...tamanha...
...vital.
Imploram pelo seu registro...
E o registro pra mim...
...o registro pra mim ao mesmo tempo
que empobrece uma ideia...
...ao mesmo tempo que aprisiona a ideia
...ao mesmo tempo a leva para tão longe...
...assim como os pensamentos...
...soltos e aprisionados numa mesma proporção...
...se não compartilhados.

Compartilhar...
..compartilhar é tão necessário...
Não...não o registro...o compartilhar...
Sim...
...as palavras...
...compartilhar as palavras...
...os pensamentos...
Mas sem registro...
...sem fala.

Dê-me tua mão.
Olhos bem fechados.
Corpos inertes.
Almas num parque.
Pensamentos em fevereiro.
Palavras ao vento.

Compartilhar é assim...
...sentir...apenas...
apenas...
...sentir.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Incondicional

Te vejo tão distante, Maria
Distante de ti
de mim
de nossas vidas
cujos anos nem sei mais...

Brincávamos
Sorríamos
Chorávamos...
...juntinhos...
...numa mesma sintonia..
...e muitas vezes em silêncio.
Eu sentia...
...tu sentias...

Hoje toco tua mão...
...teu olhar me estranha
Eu...total estrangeiro para tuas retinas opacas
Sou João, José, um rapaz...
...
.. mas sorrio e beijo tua face..
Tudo tão ínfimo
Dentro de um pretérito-mais-que-perfeito

Teus sentidos não me reconhecem mais
Tua mão toca um corpo qualquer
Tua boca é profana
Teu olhar surrealista
Teus gestos infantes

Ah...
...mas como não te amar
quando chama a João
querendo, na verdade, me chamar?

Maria, como não te amar
Quando me perguntas quem sou?
Sou quem tu chamas, respondo embargado
Você sorri...
E teu sorriso...
...teu sorriso não me enganas...
...nunca.

Como não te amar, Maria?

Serei sempre teu.
Sempre serás minha.
Incondicionalmente minha...
...eterna...
...Maria.